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Segunda-feira, 12 de Agosto de 2013

Detidos por jogar a dinheiro em jardins dispararam

 
Terça-feira, pouco depois das sete da tarde, na Alameda, em Lisboa. Nas mesas fixas disponíveis, trocam-se as voltas ao tempo passando rapidamente cartas de mão em mão em jogos de azar e, ao mesmo ritmo, provocações entre velhos amigos. Todos os dias é assim: “Não há nada que fazer, não há trabalho...”. A justificação, quase envergonhada, é dada por um dos jogadores ao SOL. E será repetida por outras pessoas, em vários jardins da capital.

Pouco tempo depois, chega a revelação de João, um dos reformados que comparecem na Alameda todos os dias. “Jogamos a dinheiro, sim. E é preciso perder muito para aprender. Mas depois também se ganha bastante”, diz o homem, enquanto arruma as notas que juntou no bolso da frente da camisa. Em jogo, na mesa, estão cerca de 40 euros, entre moedas e notas que os presentes nem se dão a trabalho de esconder.

Os jardins e espaços públicos, sobretudo de Lisboa e do Porto, mas também de outras cidades do país, estão cheios de idosos e desempregados que entretêm os dias com jogos de azar. Dominó, dados e jogos de cartas como o King, a Lerpa ou o Rummy, são as preferências – e cada vez mais se aposta dinheiro.

A avaliar pelas detenções, o fenómeno do jogo ilegal disparou nos últimos dois anos: ao todo, só nas duas principais cidades do país, nos primeiros cinco meses de 2013 a PSP já prendeu 84 pessoas – mais 14 do que em todo o ano de 2012. Ainda esta semana, na Amadora, três homens que jogavam ilegalmente na via pública foram apanhados.

Segundo dados avançados ao SOL pelo Comando Metropolitano da PSP de Lisboa, o fenómeno disparou sobretudo na Grande Lisboa. Aqui, este ano, as autoridades já apanharam em flagrante delito 55 pessoas – 13 vezes mais do que em todo o ano de 2011, quando foram detidos apenas quatro jogadores. Todos do sexo masculino.

A Norte, a situação é semelhante: até Maio, o Comando Metropolitano da PSP do Porto deteve mais do dobro de jogadores do que em todo o ano de 2011, quando foram detidas 13 pessoas. O número de ocorrências revela, aliás, o aumento da atenção das autoridades ao jogo ilegal: na grande Lisboa, foram investigados, nos últimos três anos, 535 casos e, no grande Porto, 345.

Brasileiros jogam toda a noite

A detenção dos intervenientes nestas actividades não é a única medida tomada pelas autoridades. “Também apreendemos o material relacionado com o jogo ilegal, como cartas, dados, papéis de pontuação, entre outros”, explica fonte oficial da PSP, acrescentando que estão em causa “todas as práticas que configurem jogos de fortuna ou azar, ou seja, todos aqueles cujo resultado é contingente por assentar exclusiva ou fundamentalmente na sorte”.

Seja ou não por dinheiro, os jogadores têm locais e companheiros de apostas definidos. E mesmo quando se trata de jogar a dinheiro, não se coíbem de os revelar. “É só ir ao Jardim da Estrela, à Paiva Couceiro ou ao Jardim Constantino, por exemplo... às horas certas, há sempre alguém a jogar com notas”, indicam os mais experientes na Fonte Luminosa. Vão-se cruzando e aprendendo a reconhecer os rostos de cada um dos ‘habitués’ na confusão da cidade.

Na Praça Paiva Couceiro, também em Lisboa, grupos de reformados enganam a monotonia da manhã com os companheiros de jogo de ‘há anos’. “Onde havemos de ir? Para o centro comercial?”, ironiza um dos idosos, garantindo que no seu grupo se joga apenas pelo “prazer de jogar”. Está a jogar Rummy com os amigos e, enquanto um dos parceiros assinala os pontos de cada um num cartão grosso de papel, aproveita para contar que dali a poucas horas irão chegar brasileiros que jogam a dinheiro. “A ‘festa deles dura até às sete da manhã e é bem regada”, descreve António, outro dos companheiros, também reformado, acrescentando: “Eles [os brasileiros] chegam à tarde, em grupos de dois ou três, começam a meter o dinheiro em cima da mesa e vão jogando”.

O problema, acaba por queixar-se um taxista desempregado, é o lixo que deixam: “São garrafas e garrafas de litros de cerveja, espalhadas aí pelo chão da praça, pelas mesas, ao pé das árvores... em todo o lado, todas as manhãs”.

O relógio aproxima-se da hora do almoço e os reformados preparam-se para fazer o habitual “intervalo para o ‘branquinho’ [copo de vinho]”.

Autoridades ‘atentas’

No Jardim Constantino, os jogos correm tarde dentro, quase todos os dias da semana. O processo é semelhante ao dos outros jardins de Lisboa, mas os participantes parecem ser oriundos de países de Leste, numa amálgama linguística confusa. Um a um, vão chegando, com o avançar da tarde e sentando-se em torno das mesas dispostas nos limites do jardim. As moedas e notas aparecerem e desaparecem a ritmo quase imperceptível – e ninguém, entre os presentes, todos homens, que terão entre 40 e 60 anos, está desatento ao ambiente que o rodeia – não vá algum indesejado chegar. Um olhar mais atento permite vislumbrar notas de 20 euros em cima da mesa.

Ilegal ou não, para jogar a dinheiro ‘à séria’ nos jardins da capital, garante quem sabe, é preciso ter o bolso cheio e muitos participantes. “Quantos mais, maior é o valor em causa”, revela um, explicando que, normalmente começam as partidas “com 40 a 60 euros na mesa”. “Mas hoje ganha-se menos. Ainda no tempo dos contos”, corrige de imediato outro jogador em pé, a assistir ao jogo de Lerpa, “cheguei a ganhar 50 contos [250 euros]”. Livres de impostos. Mas sujeitos a outro risco: a liberdade. É que “a PSP está atenta e actuante quanto à resposta a dar a esta situação, traduzida em permanentes fiscalizações e investigações”, garante fonte oficial da instituição.

sonia.balasteiro@sol.pt

publicado por projardimconstantino às 22:41
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