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Domingo, 7 de Julho de 2013

Uma cidade tolerante com o lixo

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Por que estão tão sujas algumas ruas? Abundam cenários de grande imundície em muitos bairros – ao ponto de quase parecer termo-nos habituado a eles. Muitos acusam a câmara de incapacidade em limpar e outros apontam o dedo aos cidadãos por um crónico défice de urbanidade. Ou ambos. Sá Fernandes queixa-se da falta de civismo e de pessoal.

 

 

Texto: Samuel Alemão     Fotografias: David Clifford

 

 

Papéis, muitos papéis, sacos de plástico, garrafas, maços de cigarros vazios, cocó de cão, páginas de jornais avulsas, beatas, esferovite, folhetos, mais cocó de cão, restos de comida, componentes de televisores e material informático, embalagens diversas, pacotes de produtos alimentares, estranhos objectos, algumas reminiscências de coisas às quais, com esforço, atribuímos proveniência e mais cocó de cão. Andar pelas ruas de Lisboa com os olhos abertos é como uma massiva e nunca terminada – se bem que involuntária – operação de rastreamento dos despojos de uma comunidade aparentemente pouco preocupada com o espaço público.

Haverá bairros mais ou menos limpos que outros, como é natural, e zonas da cidade que não estarão assim tão desfasadas de um sempre subjectivo e aceitável padrão europeu. Mas persiste a ideia de que as ruas de Lisboa deixam muito a desejar no que toca à higiene. E logo aqui começará a dificuldade. Como verificar tal impressão, muitas vezes partilhada em conversas de café, mas em relação à qual raramente usamos dados concretos?

É que se torna difícil, para não dizer impossível, quantificar o lixo acumulado amiúde nas ruas da capital. A não ser que se prescutem as estatísticas municipais dos quilos de despojos recolhidos da via pública – o que acabará por ser insuficiente como indicador e até poderá servir mais como exemplo da eventual eficácia dos serviços de higiene urbana da autarquia. E por mais que a câmara actue e jure cumprir com os seus deveres de limpeza, a verdade é que se trata de um campo onde todo o trabalho será pouco se não existir uma atitude colaborante de quem frequenta a cidade. Esse mesmo problema de avaliação é admitido por Paulo Machado, professor e investigador de Sociologia Urbana na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. “Sem dados que permitam cabalmente identificar um contraste entre a limpeza de Lisboa e a limpeza de outras cidades, tudo o que se possa afirmar corre forte risco de ser especulativo e não demonstrável”, começa por dizer ao Corvo, para depois admitir: “As necessidades de salubridade estão asseguradas, há muito, pelo trabalho de décadas da autarquia, mas, aparentemente, não se cumprem os parâmetros requeridos pelos cidadãos, que se queixam. Além disso, a concentração de população em Lisboa, pela sua dimensão, suscita uma situação destas”.

Mas, é fácil de verificar, existem cidades do continente europeu bem maiores que a capital portuguesa, as quais não apresentam cenários tão desoladores.  O que leva a questionar sobre as razões. De quem é a culpa, dos serviços de limpeza da câmara ou dos cidadãos? A pergunta é recorrente e serve, frequentemente, para dissertações mais ou menos sociológicas ou, consoante quem esteja no poder, como matéria de argumentação político-partidária. “Obviamente, temos aqui um problema com duas faces”, afirma João Mourato Grave, presidente da Junta de Freguesia dos Anjos, eleito pelo PSD e que nas autárquicas de 29 de Setembro concorrerá à nova circunscrição administrativa de Arroios – que juntará as actuais freguesias dos Anjos, São Jorge de Arroios e Pena.

 

 

lixo lisboa 2013-04-22 11.44.02-1

A falta de limpeza faz-se sentir em determinadas zonas, sobretudo no centro da cidade.

 

As duas faces da questão, diz o autarca, são “a falta de civismo da população e o problema dos serviços municipais” em conseguir assegurar a limpeza dos arruamentos. A freguesia dos Anjos abrange uma área muito vasta, na qual se inclui o troço inferior da Avenida Almirante Reis e o Largo do Intendente, zonas que têm evidenciado sinais de se quererem livrar de uma certa má fama acumulada em décadas – o edil até já elogiou publicamente o trabalho do presidente socialista da Câmara Municipal de Lisboa (CML), António Costa, na reabilitação do Intendente. A contribuir para a imagem algo negativa da avenida e das ruas e bairros adjacentes está a profusão de lixo e sujidade, que teimosamente persistem.

“A falta de civismo é aqui um problema grave e uma questão quase cultural”, diz Mourato Grave. E o “cultural” tem aqui uma dimensão que extravasa as fronteiras do país. Se é verdade que aos tradicionais moradores daquela área pode ser apontado o dedo por comportamentos de falta de urbanidade, o presidente da junta não tem problemas em falar do que muitos poderão achar politicamente incorrecto referir. “Temos aqui uma grande comunidade de imigrantes, maioritariamente proveninentes de países com padrões diferentes dos nossos”, afirma o autarca, com uma certa resignação ante o que vê como um facto, mas não tanto em relação à forma de lidar com ele.

Mas Mourato Grave critica também o que considera serem as falhas da CML. “O sistema de higiene urbana é manifestamente insuficiente”, diz, apontando não só a profusão de lixo na sua freguesia como o facto de “a calçada estar sempre encardida na Avenida Almirante Reis”. O presidente da junta diz que muitos residentes se queixam da sujidade dos arrumanentos e que, “quando a situação é comunicada à câmara pela junta, a resposta é estilo ´chapa três´, dizendo sempre o mesmo, ou seja, que asseguram a varredura e a lavagem das ruas em determinados dias”.

O que é certo é que as ruas continuam sujas, diz o autarca dos Anjos. Mourato Grave espera que, “no pós-reforma administrativa, se a nova junta assumir as competências que estão previstas, nomeadamente nesta área, as coisas podem melhorar muito”. A receita para o problema passa por ser eficiente e implacável, limpando a rua mal esta deixe de estar limpa. “O lixo atrai lixo. E se mantivermos a situação sem agirmos logo, só tenderá a piorar”.

 

 

DC lixo rua lisboa

Há de tudo um pouco no que toca a situações de lixo colocado onde não devia sê-lo.

Outro aspecto que terá de melhorar, diz, será a resposta ao problema dos sem-abrigo, população que contribuirá para muita da sujidade, quer revirando caixotes do lixo, quer por fazer a necessidades fisiológicas na via pública ou até por atirar para o chão os alimentos (e os seus  recipientes) dados pelas equipas de assistência de rua. O problema é sentido junto às igrejas do Anjos e, sobretudo, de São Jorge de Arroios e no Jardim Constantino. Na igreja de Arroios, a situação é tal que obriga os serviços de higiene da autarquia a lavagens quotidianas do espaço envolvente.

Mas a falta de civismo não poderá ser apenas imputada à população indigente  Porque tal seria fingir que não se trata de um problema relativamente persistente e transversal na sociedade portuguesa e, com mais intensidade, em Lisboa. A pensar nisso, a junta dos Anjos aceitou, há cerca de um ano, a proposta do arquitecto Pedro Pinto Correia de colocação de sinalética visando incutir o respeito pelo espaço público e lembrando coisas básicas, como não atirar lixo para o chão, não urinar na rua e apanhar o cocó do cão, ou incentivando ainda regras elementares da convivialidade urbana, como cumprimentar os vizinhos. Foram afixadas cerca de quatro centenas de mensagens.

Os sinais, colocados um pouco por toda a freguesia, sob o mote “Cuida do teu Bairro”, revelaram-se muito populares e deram origem a novas versões – uma delas lançada esta semana. Os autocolantes e placas foram a reacção de Pedro ao cenário desolador da freguesia onde mora. “Nasceu da minha inquietação com este cenário. Reparei que os donos do supermercado chinês onde eu ia deixavam os caixotes de cartão acumulados na rua ou que os meus vizinhos do andar de cima atiravam os restos de comida pela janela”, recorda. Daí até conceber esta campanha, inspirada na sinalética de trânsito, foi um passo.

Pedro também acha que “se as pessoas virem uma rua limpa, vão querer que ela se mantenha limpa”. E essa lógica fará especial sentido num contexto como o da sociedade portuguesa, em que a “relação das pessoas com o espaço público é algo descuidada e desvalorizada”, nota o sociólogo Paulo Machado. “Em muitos portugueses, a convergência entre o interesse individual e o colectivo é conflituosa. O conceito de colectivo e do seu espaço, em muitos aspectos, trata-se de algo difuso entre nós”, diz o professor universitário, depois de expressar reservas sobre a necessidade de mais campanhas de sensibilização.

Afinal, praticamente todos sabem o que devem ou não devem fazer – se, compreensivelmente, exceptuarmos alguns segmentos da população das tais comunidades imigrantes. E, além disso, “muitos dos portugueses que mais acesso têm à informação são também eles prevaricadores habituais”, sublinha Paulo Machado. Ainda assim, é frequente assistir-se a algumas campanhas de publicidade, como aquela bem recente da CML, com direito a anúncios televisivos, apelando ao cumprimento de regras básicas. A autarquia alfacinha tem, aliás, longo historial de campanhas do género.

José Sá Fernandes, vereador com o pelouro do Higiene Urbana, garante ao Corvo que “a cidade não está mais suja e em algumas zonas até está melhor”. Mas não esconde a evidência. “Há zonas que estão limpas e outras que não estão”, diz, antes de reconhecer que “há determinadas áreas que são mais complicadas”. “Nos bairros históricos, como Mouraria e Alfama, ainda não se encontrou o modelo exacto para garantir a limpeza”, admite, reconhecendo que o problema afecta também outros sítios da cidade. E responsabiliza o comportamento dos que deixam o pavimento repleto de beatas, papéis ou fezes dos cães.

Sá Fernandes diz que a implementação do novo sistema de separação de resíduos “está a correr muito bem, sobretudo em Campo de Ourique, Belém e São Domingos de Benfica”, mas lamenta que o mesmo não se verifique em muitos sítios em que “as pessoas se habituaram a colocar os sacos de lixo junto dos vidrões”, acabando por aumentar a sujidade e a sensação de desleixo em redor. Outro dos alvos das críticas são os donos das esplanadas, que “insistem em varrer para as caldeiras das árvores todo o tipo de detritos”. “Isto não pode continuar”, afirma.

O autarca lembra que os serviços por si tutelados contam com menos 150 trabalhadores, devido às limitações à contratação de pessoal, impostas nos últimos dois anos. Por isso, não conseguirão dar conta do recado. Para compensar esse défice de recursos humanos, foram adquiridos recentemente oito novas máquinas de varredura, que até serão mais eficazes e rápidas na tarefas. Além disso, foi também “reforçada a manutenção de muitos jardins, com limpezas a serem realizadas aos domingos”. Muito há ainda a fazer, admite.

fonte: http://ocorvo.pt/2013/07/08/uma-cidade-cheia-de-lixo/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=uma-cidade-cheia-de-lixo

publicado por projardimconstantino às 22:16
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